Fibromialgia à Vista: O que a Ecografia Revela sobre o Músculo Trapézio?

Por Priscila Dourado Evangelista

Fibromialgia à Vista: O que a Ecografia Revela sobre o Músculo Trapézio?

Muitos profissionais já se questionaram: existe algum exame capaz de detectar a fibromialgia? Esta é uma condição clínica complexa, caracterizada por dor musculoesquelética difusa, frequentemente acompanhada por labilidade emocional, irritabilidade, ansiedade, insônia, alterações cognitivas e, por vezes, sintomas gastrointestinais. O diagnóstico é eminentemente clínico, feito através de uma anamnese cuidadosa e de um exame físico minucioso. No entanto, é fundamental excluir outras causas que possam justificar os sintomas, como deficiência de vitamina B12 ou hipotireoidismo, através de exames laboratoriais.

Mas será mesmo que não há nenhum exame que possa auxiliar de forma mais objetiva no diagnóstico da fibromialgia?

Um estudo recente intitulado “Structural changes in the upper trapezius muscle of fibromyalgia patients identified by quantitative ultrasonography: a cross-sectional study” procurou responder a essa questão. A investigação analisou se existem alterações estruturais no músculo trapézio superior de pacientes com fibromialgia, utilizando técnicas quantitativas de ultrassonografia, como análise de “blobs” e métricas de textura. Foram capturadas imagens do trapézio superior e analisadas com base em parâmetros como echointensidade, contagem e área de “blobs” (pontos de textura visível), além de medidas baseadas em descritores de Haralick.

Os resultados mostraram alterações significativas nesses parâmetros nos pacientes com fibromialgia, especialmente um aumento na área total de blobs por milímetro quadrado. A echointensidade e as medidas de textura também conseguiram distinguir os músculos de pacientes fibromiálgicos dos músculos de indivíduos saudáveis. Um dos achados mais relevantes foi a correlação entre a intensidade da dor, medida pela escala VAS, e a área total de blobs no músculo trapézio, sugerindo que essa métrica pode ter valor clínico.

Isso abre a possibilidade de que tais alterações ecográficas possam funcionar como biomarcadores objetivos no diagnóstico e acompanhamento da fibromialgia, além de serem úteis na avaliação da resposta ao tratamento.

Apesar dos achados promissores, é importante reconhecer que a fibromialgia é uma condição multifatorial e heterogênea. Os autores destacam que alterações como bandas tensas, desalinhamento muscular ou mesmo depósitos de gordura intramuscular podem estar por trás dos padrões ecográficos observados. Assim, embora os resultados sejam estatisticamente significativos, os efeitos são de pequena a moderada magnitude, o que reforça a necessidade de estudos com amostras maiores, avaliação de diferentes grupos musculares e, idealmente, correlação com dados histológicos.

Embora a ultrassonografia quantitativa ainda não substitua o exame clínico, o estudo aponta que ela pode tornar-se uma ferramenta auxiliar valiosa no futuro. Pacientes com fibromialgia demonstraram alterações estruturais detectáveis no músculo trapézio superior, e a área total de blobs mostrou correlação com a dor, o que sugere potencial utilidade diagnóstica e para a monitorização clínica da doença. No entanto, mais evidências são necessárias para consolidar a aplicação prática desses achados na rotina médica.

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