O Ultrassom Pode Ajudar no Diagnóstico da Vitrite? Estudo do Dr. Alexandre Mendonça Traz Novas Perspectivas

Neste artigo, comentamos o estudo apresentado no EULAR 2023, que teve participação do Dr. Alexandre Mendonça, docente da Universidade do Ultrassom, e analisou a eficácia do ultrassom modo-B na detecção de vitrite.

O Ultrassom Pode Ajudar no Diagnóstico da Vitrite? Estudo do Dr. Alexandre Mendonça Traz Novas Perspectivas

A vitrite — inflamação do humor vítreo — é uma manifestação oftalmológica comum em doenças inflamatórias sistêmicas como espondiloartrites e artrite psoriásica. A lâmpada de fenda é o padrão-ouro para sua detecção, mas limitações como opacidades de mídia e baixa colaboração do paciente podem restringir sua aplicação. Este artigo avalia o ultrassom ocular modo-B como alternativa diagnóstica, comparando-o diretamente à lâmpada de fenda.

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Confira o artigo completo: POS0901 CAN B-MODE OCULAR ULTRASOUND ASSESS VITRITIS IN PATIENTS WITH AXIALSPONDYLOARTHRITIS AND PSORIASIC ARTHRITIS? | Annals of the Rheumatic Diseases https://ard.bmj.com/content/82/Suppl_1/759.1

Objetivo

Avaliar a precisão diagnóstica do ultrassom ocular modo-B na detecção de vitrite, em comparação com o exame por lâmpada de fenda.

Métodos

Estudo observacional transversal conduzido em centro único. População: 64 pacientes (127 olhos), com espondiloartrite axial não radiográfica, espondiloartrite axial radiográfica e artrite psoriásica.
Critérios diagnósticos utilizados: ASAS, Modified New York e CASPAR.

Técnicas Diagnósticas

Ultrassonografia modo-B com sonda linear de 12 MHz, classificação da vitrite em graus de 0 a 3.
A lâmpada de fenda foi utilizada como padrão-ouro, sem detalhamento do protocolo no estudo.

Análise Crítica

Pontos fortes: estudo pioneiro, alta especificidade para casos graves.
Limitações: sensibilidade reduzida, baixo valor preditivo negativo (VPN), protocolo incompleto, amostra pequena.

Implicações Clínicas

O ultrassom modo-B pode ser útil como ferramenta complementar, especialmente quando o exame com lâmpada de fenda não é viável. Contudo, não substitui o exame oftalmológico convencional.

Conclusão

Apesar de promissor, o ultrassom ocular modo-B apresenta acurácia diagnóstica limitada. Seu uso deve ser considerado auxiliar, sendo necessários novos estudos com maior padronização metodológica.

Referência

Mendonça JA, Pedri LE, Andrade F, Biselli L, Nucci L.
CAN B-MODE OCULAR ULTRASOUND ASSESS VITRITIS IN PATIENTS WITH AXIAL SPONDYLOARTHRITIS AND PSORIATIC ARTHRITIS?
Ann Rheum Dis. 2023;82(Suppl 1):1328. doi:10.1136/annrheumdis-2023-eular.1328